terça-feira, 9 de maio de 2017

Uma reflexão sobre Educação com Espiritualidade Aplicada

Há 4 anos atrás, no dia 8 de maio, iniciamos esse movimento. E como forma de celebrar, além de convidar você a assistir o breve vídeo da nossa história e visão, proponho uma rápida e despretenciosa reflexão acerca de uma visão de Espiritualidade através de duas também rápidas histórias: uma real, ocorrida nas terras paulistas da cidade de Franca, e uma outra, uma suposta lenda de uma terra distante do Extremo Oriente....

A primeira história é, na verdade, uma homenagem à dona Aparecida Novelino, professora e esposa do médico, empresário e educador Tomás Novelino.

 Nascida em 8 de maio de 1914, Maria Aparecida Rebêlo Novelino (dona Aparecida) fundou e manteve, com seu esposo, o Educandário Pestalozzi na cidade de Franca, SP. Numa estrutura que chegou a três escolas-creches, acolheu, gratuitamente, cerca de 2.500 crianças por ano, no auge de seu funcionamento, desde a fundação em 1944 até 1996, quando encerrou as atividades por força de crise econômica na indústria de calçados homônima que sustentava as atividades educacionais e assistenciais.
Caso você queira saber um pouco mais sobre a história de dona Aparecida, veja o comunicado da USE (União das Sociedades Espíritas) de Franca desse link, emitido por ocasião do centenário do seu nascimento.
E se quiser saber um pouquinho mais da contribuição dela e do Dr. Tomás Novelino para a formação de uma Pedagogia com Espiritualidade, veja nesse link o trecho correspondente da tese da Dra. Dora Incontri.


A outra história, uma lenda do Extremo Oriente, contada no livro "O homem que calculava", do escritor Malba Tahan, pseudônimo do professor carioca Júlio Cesar de Melo e Souza (também nascido em dia próximo a esse agora celebrado, 6 de maio de 1895...), sobre o verdadeiro sábioo material e o espiritual.

Um poderoso rei, que dominava a Pérsia e as vastas planícies do Irã, ouviu certo dervixe  dizer  que  o verdadeiro sábio devia conhecer, com absoluta perfeição, a parte espiritual e a parte material da vida. Chamava-se Astor esse monarca, que era apelidado “O Sereno”. Que fez Astor, o rei? Vale a pena recordar a forma pela qual procedeu o poderoso monarca.

Mandou  chamar  os  três  maiores  sábios  da  Pérsia,  entregou  a  cada  um deles 2 dinares de prata e disse-lhes:
- Há neste palácio três salas iguais, completamente vazias. Ficará, cada um de vós, encarregado de encher uma das salas, não podendo, entretanto, despender nessa tarefa quantia superior à que acabo de confiar a cada um.
O problema era realmente difícil. Cada sábio devia encher uma sala vazia, gastando apenas a insignificante quantia de 2 dinares. Partiram  os  sábios  a  fim  de  cumprir  a  missão  de  que  haviam sido encarregados pelo caprichoso rei Astor.
Horas  depois,  regressaram  à  sala  do  trono.  O  monarca,  interessado  pela solução do enigma, interrogou-os.
O primeiro, ao ser interrogado, assim falou:

- Senhor! Gastei 2 dinares, mas a sala que me coube ficou completamente cheia. A minha solução foi muito prática. Comprei vários sacos de feno e com eles enchi o aposento do chão até o teto.
- Muito bem! - exclamou o rei Astor, o Sereno. - A vossa solução, simples e  rápida,  foi  realmente muito  bem  imaginada.  Conheceis,  a  meu  ver,  a  “parte material da vida”, e sob esse aspecto haveis de encarar todos os problemas que o homem deve enfrentar na face da terra.

A seguir, o segundo sábio, depois de saudar o rei, disse com certa ênfase:
- No desempenho da tarefa que me foi cometida, gastei apenas meio dinar. Quero  explicar  como  procedi  Comprei  uma  vela  e  acendi-a  no  meio  da  sala vazia. Agora ó Rei, podeis observá-la. Está cheia, inteiramente cheia de luz.
-  Bravos!  -  concordou  o  monarca.  -  Descobriste  uma  solução  brilhante para o caso! A luz simboliza a parte espiritual da vida. O vosso espírito acha-se, pelo  que  me  é  dado  concluir,  propenso  a  encarar  todos  os  problemas  da existência do ponto de vista espiritual.

Chegou, afinal, ao terceiro sábio, a vez de falar. Eis como foi resolvida por ele a singular questão:
- Pensei, a princípio, ó Rei dos Quatro Cantos do Mundo, em deixar a sala entregue  aos  meus  cuidados  exatamente  como  se  achava.  Era  fácil  ver  que  a aludida  sala, embora  fechada,  não  se  encontrava  vazia.  Apresentava-se  (é evidente) cheia de ar e de trevas. Não quis, porém, ficar na cômoda indolência enquanto  os  meus  dois  colegas  agiam  com  tanta inteligência  e  habilidade.
Resolvi  agir  também.  Tomei,  pois,  de  um  punhado  de  feno  da  primeira  sala, queimei  esse  feno na  vela  que  se  achava  na  outra,  e  com  a  fumaça  que  se desprendia  enchi  inteiramente  a terceira  sala.  Será  inútil  acrescentar  que  não gastei a menor parcela da quantia que me foi entregue. Como podeis verificar, a sala que me coube está cheia de fumaça.
-  Admirável!  -  exclamou  o  rei  Astor.  -  Sois  o  maior  sábio  da  Pérsia  e talvez do mundo. Sabeis unir, com judiciosa habilidade, o material ao espiritual para atingir a perfeição.

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Ai está, amigo(a) leitor(a), com essa singela homenagem à dona Aparecida e esta lenda, fica a proposta de reflexão sobre o que poderia ser uma Educação com Espiritualidade Aplicada em sua vida...

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Cordel - Quando sinto que já sei


Quando sinto que já sei

O título é sugestivo, e para quem ainda não viu
Esse documentário eloquente,
Segue aqui em pobres versos, um resumo simples e potente:
Um projeto que começou, a uns 6 anos atrás
Seus sonhadores queriam fazer, algo pela educação,
Vixi! Isso sim ia dar, um enorme trabalhão!

Começaram pesquisando, lá fora no estrangeiro,
E por lá então rodaram, antes do Brasil inteiro,
Reino Unido e Portugal, foram então umas referências,
Mas o foco de verdade, foi aqui na nossa terra
Conversaram com quem fazia, e podia nos indicar
Um caminho, uma rota, para a educação melhorar

Quem diria que aqui, no nosso Brasil, tão perto
Havia tantos projetos, tão bons, simples e quietos...
Mas para deles nos apropriarmos e saber qual a construção
Que existiu e ainda existe, é preciso resgatar, a história deles e de outros,
E como, com essa história, e a realidade de agora,
Trabalhar com o que temos e o futuro renovar.

São 10 projetos de educação, em 5 estados da nação
8 cidades, muita gente e 100 horas de gravação
Para gerar pouco mais de 1 hora, de uma bela produção!
Tudo que é bom leva seu tempo, de boa preparação...
Ficou marcada, a realidade, com muita diversidade
E em cada projeto mostrado, a sua própria identidade.

E nesse ponto, é muito justo, do leitor vir a questão:
Por que mais um documentário, sobre a nossa educação?
O que traz esse de ação?  E tem alguma solução?
Esse aqui traz em seu bojo, soluções inovadoras e muita provocação
E uma das principais, se podemos assim dizer,
É:  a criança só aprende, debaixo de regras rígidas e muita organização?

Tem gente que faz diferente, um dos nomes é Tião Rocha,
Antropólogo e educador, das nossas Minas Gerais,
Começou em Belo Horizonte, chegou a Curvelo e além mais.
E esse aí lançou a questão, com toda propriedade:
Será que a escola deve ser, p’ra os meninos e meninas,
Um serviço militar, aos 6 anos de idade?

E qual é a solução, para o problema da educação?
Será que dá para fazer, um e-mail ou publicação,
Colocar num post d’um blog, as dicas de pretensão,
De qualidade e idealismo, de uma nova educação?
Ô  gente, cai na real! escola perfeita não tem não...
Por que assim que a vida é: cada uma tem o seu jeito.

Cada parte do nosso país, tem uma realidade de aprendiz
A escola para ser boa, não precisa de modelo
E, então, como se diz: Vamos lá minha gente amiga,
Unir estudo e trabalho, com a comunidade envolvida
Cultura e símbolos locais, respeitados e construídos,
E uma nova educação, transformada, será então vivenciada!

A escola convencional, precisa então mudar
A queda das paredes da sala, e dos velhos preconceitos,
Dos muros da escola e dos conhecimentos “já feitos”, veio para ficar
A criança, sujeito ativo, aprende em qualquer lugar: basta oportunizar!
As crianças e o mundo, mediados pelo professor,
Todos, então, tendem a ganhar...

Com o modelo de escola atual, é claro que não podemos ficar
Temos que, juntos, com a comunidade avançar
Mudar o jeito de ensinar, onde a criança tenha prazer,
De estudar e aprender, de ser e experimentar...
Isso se faz na Bahia e no Rio Grande do Norte, em Minas, Rio e São Paulo,
Em várias de suas cidades, com toda diversidade, escola pública ou particular

Mas não pense, você que lê, que tirar as paredes da sala,
Quebrar os muros da escola e transformar a educação, é tarefa fácil não!
Por que quando você começa, a desafiar esses limites,
Você acaba lidando muito, com suas “coisas” de dentro: medo, crenças, valores...
Aqueles que até então, você tem como importantes e os domina, proficiente!
Mas que agora, nesses tempos, com os novos sujeitos e cenários, já não são eficientes...

Chegamos então, nesses versos, a um ponto de reflexão:
Como é que se muda, então, a realidade da educação?
Por onde se quebram os tais, preconceitos e paradigmas,
Que há muito já não servem, para a realidade de agora?
A resposta vem da análise, pura e cristalina de Clélia, jovem aluna
Da escola sede em Natal, de um dos projetos do vídeo:

Alunos e responsáveis, professores e  gestores, políticos e sociedade,
Criticam-se uns aos outros, sem nenhuma caridade, sem qualquer ajuda mútua,
Estão sempre engajados em suas “lutas de classe”,
Cada um pelos seus próprios, direitos e pontos de vistas.
Tem que haver um olhar p’ro outro, uma melhor compreensão,
Para saber onde ajudar – esse deveria ser, o início da transformação.

E, encerrando, fica aqui, a pergunta e a provocação
Como você que nos leu, onde está e com o que tem,
Com a sua comunidade, cultura e conhecimentos,
Sabendo de tudo isso, e pesquisando mais além,
Quando sentir que já sabe,
Pode ajudar a mudar, a educação na sua realidade?
Referências:
1. Youtube, video-documentário. Quando sinto que já sei. <https://youtu.be/HX6P6P3x1Qg> Acesso em 12.abr.2017.
2. Página deste blog. Documentando experiências de Educação Alternativa. <http://educacaoespiritaaplicada.blogspot.com.br/p/educacao-espiritualidade-e.html
3. DINIZ,     Francisco     Ferreira     Filho.     Literatura     de     Cordel.     Disponível     em: 

Co-elaboração de
Antonio Domiciano
Livia Miguel
Noeli Serodio
Vania Guimarães
Viviane Veloso
Universidade Metodista de São Paulo
Curso de Pedagogia, 5º período

quarta-feira, 1 de março de 2017

Uma Reflexão para Membros e Líderes de grupos


Um membro de um determinado grupo, do qual participava regularmente, sem nenhum aviso deixou de atender suas atividades. Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo.

Era uma noite muito fria.

O líder encontrou a pessoa em casa sozinha, sentada diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor. Adivinhando a razão da visita, ela deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieta, esperando.

O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das rachas de lenha, que ardiam. Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram. Cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.

Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel.

A pessoa anfitriã prestava atenção a tudo, fascinada e quieta.

Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada. Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre as duas pessoas amigas.

O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.

Quando o líder alcançou a porta para partir, a pessoa visitada disse:

- Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo. Deus te abençoe!

Reflexão:

Aos membros: vale lembrar que fazem parte da chama e que longe do grupo perdem todo o brilho.

Aos lideres: vale lembrar que são responsáveis por manter acesa a chama de cada um e por promover a união entre todos os membros, para que o fogo seja realmente forte, eficaz e duradouro.

(Autor desconhecido)

domingo, 13 de novembro de 2016

AEIOU - Ação de Educação Integral, Organização e União


A resolução do dilema "Perseverança ou Teimosia", discutido no post anterior, nos levou pensar e agir de forma diferente, que incluiu redirecionar o objetivo primeiro do projeto para a criação de uma associação para prover suporte e ajudar organizações existentes - escolas principalmente.

Além disso, decidimos nos organizar sob uma associação juridicamente já instituida que esteja em sintonia com nossos conceitos, premissas, fundamentos e principios (entidade-mãe), com possibilidade de evoluir para uma independência jurídica com o passar do tempo, se isso for conveniente - em oposição a criar uma associação "do zero" (se quiser ver os detalhes da análise para essa decisão, veja arquivos deste link).

Outra discussão, análise e decisão tomada foi sobre sobre qual seria entidade-mãe a ser adotada: a Casa de Oração Missionários da Luz (COMLuz) foi a organização  existente escolhida para isso (veja agora aqui nesse link os detalhes que levaram a essa decisão).

A COMLuz é uma pessoa jurídica de Direito Privado organizada sob a forma de associação filantrópica e religiosa, sem fins lucrativos ou econômicos, apolítica, constituída em 20 de junho de 1993, por tempo indeterminado, regida por seu Estatuto Social e pela Legislação que lhe for aplicável.

Vários itens do estatuto da COMLuz dizem respeito às atividades de Educação do ser humano - Art. 4º alínea “b)”; Art. 5º inciso VI; Art. 6º e seu Parágrafo único; Art. 7º incisos I, III, IV e V; Art. 8º incisos II, III e IV; Art. 10º incisos VI e VII; Art. 11º inciso V; e Art. 33º inciso VII. Esses itens, aliados à finalidade principal daquela Associação - Assistência Social baseadas nos principios cristãos, espírita-kardecista, mostra a sintonia com a proposta deste projeto discutido aqui neste blog...

Com isso, a nossa "associação" passou a ser uma ação coordenada dentro da organização COMLuz, a partir de agora denominada "Ação de Educação Integral, Organização e União", ou AEIOU, com base nesses itens do estatuto e nos seguintes conceitos, premissas, fundamentos e principios, que serão consolidados num regimento interno para sua coordenação:

CONCEITOS:
  • Ação” é processo ou estado de estar ativo, de fazer, executar, produzir efeito ou influenciar, alguma coisa ou alguém, conscientemente, e que pode ser caracterizada por uma atividade física ou mental.
  • Educação” é o processo contínuo de formar e transformar o ser humano através do conhecimento, em suas dimensões física, intelectual e emocional; conhecimento de si mesmo, do outro, e do meio que o cerca.
  • Integral” diz respeito à concepção do ser humano, educando e educador, como ser biológico, psicológico, social, histórico e transcendente (espiritual).
  • Organização” abrange o coletivo dos seres humanos, nas suas diversas formas e manifestações (escola, família, organizações comunitárias e religiosas, empresas públicas ou privadas, etc.) e busca atender com excelência suas necessidades (estruturação interna, coordenação e diversas dimensões da gestão - pedagógica, administrativa, financeira, fiscal, estratégica, etc.).
  • União” abrange o aspecto motivacional de todo trabalho da organização, interno e para os beneficiários da ação integral: colaboração, solidariedade, apoio mútuo, tolerância, compreensão, afeto e todas as demais atitudes morais e práticas de enobrecimento do ser humano.
PREMISSAS:
  • Crer nas potencialidades e possibilidades do Ser humano, educando e educador, inacabados, em constante aprendizado.
  • Crescer é um ato natural de todo ser, como parte do progresso e evolução, individual e coletiva, considerado o crescimento no conceito “Integral”.
  • A “Ação”, coordenada com todos os demais conceitos, deve ser efetiva no sentido de produzir resultados positivos, promover o crescimento “Integral” e ganhar a confiança dos associados e dos seus beneficiários, fazer a diferença em suas vidas, seus comportamentos, habilidades e atitudes, num processo de melhoria contínua, considerando as condições do tempo presente e do futuro, próximo e remoto.
  • Ter uma visão realista de mundo, ponderada por uma perspectiva otimista, alinhada com o conceito do ser “Integral”, numa proposta de busca da felicidade, aqui considerada como o equilíbrio entre o sentir, pensar, falar e agir em coerência com o meio em que se vive.
  • Desdobrar todos os conceitos da AEIOU, principalmente os de “Organização” e “União”, numa filosofia de “DESTRUIR MUROS E CONSTRUIR PONTES”, entre todas as pessoas e suas coletividades.
FUNDAMENTOS:
  • O ser interexistente: o ser existe além das dimensões físicas e visíveis, porque se expande em espírito no tempo e no espaço. 
  • A criança é o ser que recomeça a existir na Terra e está temporária e parcialmente adormecido, tornando-se receptível às sugestões de uma nova educação.
  • A vida é fenômeno espiritual que se manifesta desde o movimento das partículas subatômicas até as rotações das galáxias, desde o protozoário no fundo do mar até as fulgurações da inteligência humana.
  • O mundo, entendido como o planeta Terra, é uma moradia temporária entre os infinitos mundos do universo, destinados a servir de habitat educativo às almas em ascensão.
  • A educação é o processo permanente de aperfeiçoamento do Espírito, é o despertar de suas potencialidades, a realização gradativa de sua divindade e não apenas numa dada existência, mas eternidade afora.
  • O educador deve ser o agente de mobilização da vontade de evolução do educando. É o que observa atentamente, amando com intensidade o ser-educando, e descobre como atingir o seu âmago, para tocar sua essência divina e deflagrar um processo de auto-educação.
PRINCIPIOS:
  • O Amor é primeiro e máximo princípio de uma Pedagogia com Espiritualidade - é o que move o ser espiritual, despertando-lhe a vontade de ascensão.
  • O respeito à liberdade do ser é consequência do amor. 
  • A igualdade com singularidade: todos os Espíritos são essencialmente iguais — seres livres, com origem divina, destinação transcendente e potencialmente bons — mas todos os seres são únicos — singulares, com potencialidades diversas, múltiplas experiências vividas, com histórias e memórias pessoais.
  • A naturalidade: o mundo espiritual é tão natural quanto o mundo físico, pois são facetas de uma única realidade.
  • A ação: a aprendizagem se dá pela ação livre -  traduzindo-se em atividades sociais, em produções estéticas, intelectuais ou manuais.
  • A educação integral, que acontece no equilíbrio entre a moralidade e a inteligência, entre a capacidade de produção estética, a racionalidade e os sentimentos elevados, é essencial para o desenvolvimento harmonioso do ser.
Nosso projeto prossegue com a tarefa de completar esse futuro "regimento interno" da AEIOU e com a identificação de oportunidades de aplicá-los em casos práticos ...

Estaremos atentos a observar quando ocorrerem, dentro de uma abordagem de "aprender ajudando e ajudar aprendendo" (semelhante à conhecida de Paulo Freire*, de "aprender ensinando, ensinar aprendendo" nas práticas pedagógicas docente...) 

Você que nos lê conhece algum caso?  Se sim, faça contato e vamos conversar...

Fiquem na Paz!

* FREIRE, Paulo.  Pedagogia  da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2008. (Coleção Leitura). Cap. 1, “Não há docência sem discência”.

domingo, 24 de julho de 2016

Perseverança ou Teimosia? Reorientar para Prosseguir...

A um tempo atrás me vi diante da seguinte questão: qual a diferença prática entre a perseverança e a teimosia? O que distingue uma pessoa perseverante de uma teimosa?

Não sei se inusitada, interessante ou intrigante para a maioria das pessoas como foi para mim, a resposta a essa questão foi um tanto controversa: do ponto de vista conceitual, me parecia óbvia, trivial; mas considerando o subjetivismo que predomina em cada pessoa, e uma certa dose do método cartesiano, refleti um bom tanto sem sucesso numa resposta satisfatória...

Já sabia a um bom tempo que a primeira é uma virtude, qualidade de quem mantém-se em seu propósito à revelia das adversidades; mas também a pessoa teimosa assim não procede? Entretanto, a teima em querer o que parece ser inviável é vista como uma atitude imatura, impertinente, ou até mesmo um defeito ou imperfeição...

Como saber, portanto, se estou sendo uma pessoa perseverante num objetivo ou simplesmente alguém teimoso numa coisa ou situação que não tem jeito?

Foi numa conversa de cafezinho com um amigo, com quem compartilhei esse dilema, que ouvi dele um critério interessante para essa diferenciação:

- Ambas persistem no objetivo, a pessoa perseverante, porém, o faz com métodos e formas diferentes de agir, a cada nova tentativa, enquanto não consegue atingi-lo...

Bingo! Faz todo sentido, de fato e de conceito...

E trazendo para o contexto do nosso interesse aqui neste blog, é algo do que tem acontecido desde julho do ano passado para cá...

Desde o post anterior, quando fiz uma retrospectiva e propus uma reflexão sobre a situação da proposta de projeto que deu origem a esse blog, ainda ocorreram algumas outras reuniões e tentativas de alavancar o grupo e o projeto... a página de eventos do grupo no Facebook foi uma boa ferramenta para agendar e registrar essas reuniões, que aconteceram entre janeiro e julho/2015, na razoável cadência de uma por mês.

Infelizmente, ao final daquele período, constatamos que mesmo os objetivos de uma primeira fase do projeto (que fora prevista, 2 anos antes, para durar 6 meses!) não estavam nem à vista de serem atingidos... 

... Formação, estruturação e consolidação dos grupos;
... Cada grupo fazer um estudo e avaliação iniciais da sua situação; e
... Detalhar o projeto em termos de fases, objetivos parciais, ações, prazos e recursos para atender os Objetivos e obter os Resultados esperados da proposta ...

Para prosseguir como perseverantes (e não como "teimosos" ;>), desde então, mudamos o jeito de agir e fizemos uma reorientação...

... na prioridade de objetivos: embora fundar uma escola continue sendo um dos objetivos, passou a ser de médio/longo prazo, em favor de trabalharmos, no curto prazo, com as escolas e outras organizações afins existentes;

... de organização: decidimos nos vincular a uma Associação existente, que nos dá liberdade de ação dentro dos princípios e fundamentos que abraçamos e que possui toda a estrutura jurídica, fiscal e estatutária para operacionalizar essas ações;

... de forma de trabalho: em vez de elaborar e agir dentro de um grande projeto estruturado (como proposto inicialmente) estamos perseguindo pequenos projetos / planos de trabalho / programas alinhados com os princípios, fundamentos e conceitos que acreditamos serem os mais adequados;

... no título da proposta: de "Educação Espírita Aplicada" para "Educação com Espiritualidade Aplicada" - um bom tanto inspirados pelo título e conteúdo discutido no II Congresso Internacional de Educação e Espiritualidade, e outro tanto pela observação das demandas e soluções que temos visto no dia-a-dia da Educação; a proposta, embora com bases firmemente apoiadas na doutrina codificada por Allan Kardec,  não pode estar limitada por denominação que sugira qualquer sectarismo filosófico ou religioso;

... reorientação de visão da realidade: num outro aspecto mais amplo ainda, embora as bases doutrinárias e os objetivos pedagógicos e de Espiritualidade, constatamos que precisamos buscar o equilíbrio entre as "coisas de Deus" (essas bases e os objetivos) e as "coisas de César" (sustentabilidade econômico-financeira), em qualquer uma dessas organizações (escola, associação ou projetos);

... e finalmente, uma reorientação de envolvimento e comunicação com as pessoas interessadas: em vez de reuniões sobre qualquer assunto com todos, estamos primeiro estruturando as ações, projetos, etc., com as poucas pessoas que realmente se comprometem e podem fazer algo, para depois abrir para o grupo e oportunizar a participação de todos, de acordo com critérios de motivação e habilidades presentes nas pessoas que manifestarem interesse.

Para dar suporte esse novo jeito de prosseguir, e em acréscimo às páginas existentes dedicadas a cada uma das áreas de concentração dessa proposta, a saber:
- Estudo e Suporte de uma Pedagogia Espírita,
- Estudo e Suporte de Gestão Escolar,
- Sustentabilidade Econômica e Fiscal e
- Suporte ao Movimento Espírita,
criamos a página dedicada a Projetos, que se desdobra em algumas outras para apresentar o resultado acerca dos estudos, reflexões, decisões e casos sobre o quê podem ser os projetos / planos de trabalho / programas a que nos referimos nesse contexto.

Esperamos que, assim, estejamos de fato sendo perseverantes em nossos objetivos, mantendo a esperança na ajuda que a Providência Divina sempre oferece para nos renovar, tanto individualmente, ajustando nossas visão e atitudes, quanto coletivamente, favorecendo que outras pessoas se junte a nós, trazendo outras visões, atitudes, habilidades e motivação!

Oportunamente publicaremos algo mais sobre essas páginas de projetos e uma nova página sobre os conceitos, premissas, fundamentos e princípios que norteiam a Ação de Educação Integral, Organização e União (AEIOU) da nossa proposta, que, nesse momento, é um rascunho de Regimento Interno para a nossa organização dentro da Associação que ora nos acolhe como entidade-mãe, a Casa de Oração Missionários da Luz (COMLuz).

Acompanhe e participe!!
Um abraço fraterno!